terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O significado do meu silêncio...

Meu celular vibra pela quarta vez no meio da noite. O desenho do envelope num círculo vermelho com o número 4 embaixo anuncia que eu preciso olhar minhas sms antes que as pessoas infartem por eu não ter respondido, afinal, eu sempre respondo. Uma de um amigo e três dele. Três. Suspiro e dou um sorriso, mas prefiro começar com o amigo.

Meio sonolenta, respondo uma frase curta, sinalizando que eu já fui dormir. Depois de muitas tentativas, minha sms de uma linha finalmente fica pronta, aperto enviar e vou ver o que ele me disse. A primeira que chegou era algo como "estou aqui de volta", a segunda perguntando se eu já tinha ido dormir. Imagino que a minha falta de respostas foi a resposta para essa pergunta. Zonza de sono leio a última. Era um texto imenso, que minha mente confusa e meu sono pesado não me deixaram entender. Resolvo largar o celular de lado, quando percebo que há informação demais e palavras fofas demais, coisas que você sempre faz, mas por algum motivo, acho fofo. Durmo um sono pesado e graças a Deus, sem mais interrupções.


De manhã, me lembro que não consegui entender sua mensagem e a abro. Fico pasma ao lê-la, pois percebo a sua intenção. Em cada linha, você derramou seus sentimentos por mim. Com palavras muito bonitas, você me pediu outra chance, implorou para que eu fosse sua. Meu coração dispara de angústia, sinto a velha sensação de pânico, porque terei que partir mais um coração, machucar mais alguém que não merece.

Fico atordoada e não consigo pensar no que vou fazer a respeito. Enquanto eu ficava encarando o celular na minha mão sem saber o que fazer, ele vibra. E mais uma vez é ele. Um simples bom dia desejado por você, me fez suar frio, porque sei que você vai me perguntar sobre a mensagem. Respondo trêmula e espero. Espero. Espero, até que você me pergunta se eu a li.

Não consigo pensar no que te dizer.

A verdade, é que eu nunca sei o que te dizer. Você é o que as meninas chamariam de namorado perfeito, daqueles que sempre querem saber como eu estou e se necessário fazem das tripas coração para fazer a garota feliz. Daqueles em que em reuniões de família, ficam de olho nas crianças para se certificar de que elas não vão se matar. Aquele que eu nem preciso pedir para que você arranje algo que eu quero comer porque estou com vontade, que já está você com o que eu pedi. Ou então, aquele tipo de cara que faz sempre sacrifícios por quem gosta, mesmo que isso o obrigue a fazer algo que não gostaria. Pois é, perfeito demais.


Não que eu me incomode com isso, ou odeie que façam coisam para mim, mas é que realmente, o problema não é você. Sou eu. Ou melhor, o meu coração que não quer acelerar por você ou a minha mão que não fica gelada quando te vejo. O seu abraço é bom, mas não encaixa direito, não me prende em você como deveria, me sinto estranha em ficar tão perto. Os seus "eu te amo" me incomodam e causam arrepios na espinha.

Como explicar isso para você? Não tem como. Não há uma forma de dizer e você entender e sei que vai ser inevitável não magoar você. Com um suspiro, respondo que a li sim e que a achei linda. Você me manda uma carinha feliz e diz "te amo". Sem saber o que dizer, coloco o celular de lado e resolvo não responder. Em uma prece rápida, rezo para que o meu silêncio te faça entender o que eu não consigo te explicar e sei que você também não quer ouvir.

Thalyne Carneiro
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