segunda-feira, 5 de maio de 2014

Para não amar errado


Vejo ele chegar com outra, na mesma festa em que eu fui com a intenção de me divertir. Meu coração para de bater por um segundo, enquanto meus olhos arregalam de choque. Não posso acreditar na cara de pau desse infeliz. Respiro fundo, conto até dez e resolvo não deixar isso atrapalhar a minha noite. A festa tem muita tequila ainda e caras iguais a esse encontro em cada canto desse lugar.

Nem sempre fui assim, sabe? Já namorei um tipinho bem pior que esse. Antes dele meu coração era limpo e cheio de amor. É aquela velha história, a gente só aprende com a dor. Tive que quebrar a cara - e o meu coração - para aprender que quando o cara não presta, os indícios estão todos ali. Se enganar é questão de cegueira.

Já fui ingênua daquelas que acham que o amor sempre é limpo, imaculado. Deveria ser. O problema é que tem gente que ama errado. Quer dizer, não sabe amar. Amor é algo belo, algo que vem lá de dentro. Amar é deixar a alma mais leve pra caber mais uma dentro de si. É sentir vontade de chorar de alegria mesmo sofrendo. É sentir dentro do peito um calorzinho gostoso de contentamento. É ter vontade de ser de alguém, mesmo que a vontade não seja recíproca. E nem tem problema se não for. O problema é quando se mente dizendo que é.

Tem gente que diz que ama, mas não ama. Sente vontade de tá perto e confunde isso com o amor. Faz declarações, promete companheirismo e fidelidade eterna. E a gente acredita, porque a última coisa que se espera de quem se quer bem é a falta de cuidado com o nosso coração. Daí ilude, trai e o pior de tudo: estraga aquilo que a gente sente no peito de tão bonito. Para amar não precisa tá perto. Não precisa ter contato. Quem ama, ama até de longe. Até mesmo quando o outro não vê.


Depois disso, parei de sofrer por besteira. Vamos curtir a vida porque ela é uma eterna festa. Só que na minha "festa" não entra qualquer um não. Aqui é só quem tem convite. Vocês sabem como funciona camarote. Para estar lá tem que merecer. Mas hoje não quero pensar na minha lista de convidados não, só quero beber, dançar e me divertir. Pede pro garçom trazer mais uma que a noite só tá começando.

E o melhor de tudo isso é que depois de apanhar tanto, a gente aprende. Depois de fazer tanto por quem não dá um suspiro por mim, vi o quanto é precioso meu coração. Não é qualquer um que me balança assim não. Uma hora a gente tem que aprender que amar é lindo, mas é coisa séria. Esfriei meu coração é me vacinei contra essa doença de amar errado. Ser fria não é bom. Machuca, incomoda. Mas se esse é o preço pra ser feliz, pagarei sorrindo. É como diz o ditado: há males que vem para o bem.


Thalyne Carneiro
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