sexta-feira, 22 de abril de 2011

As velinhas da nossa vida

Com que facilidade vão se passando os anos da nossa vida. Percebo agora e cada vez melhor. Não com tristeza, pelo contrário. Não entendo são as pessoas que querem esconder as suas idades... Certa vez coloquei duas grandes velinhas no meu bolo, o número 4 e o número 3, logo ouvi um comentário: - Para que colocar a idade! Entristeci-me, não por mim e sim por aquele que havia dito tal frase (quão vazio deve ser o seu existir). Talvez achasse melhor todas aquelas velinhas, que com dificuldade se apaga uma a uma, ou mesmo as novidades do mercado: vela tipo rojão, vela musical, vela que lança estrelinhas ou vela cobrinha. Todas brilham, mas no fundo escondem aquilo que somos.  

Fiz 46 este mês. Estou muito bem. Olho no espelho a quantidade de vezes necessárias para não sair com o batom borrado, nem com a roupa suja de pasta de dentes, para ver se o sutiã não está aparecendo (embora para os jovens de hoje isso seja mero detalhe) e para ver se o “visual” esta combinando. Tudo muito rápido e sem estresse!
Sempre fui de viver o presente, quando era nova, e continuo assim, no que chamam meia idade. Do passado procuro dissolver mágoas e não remoer mal feitos. O futuro também é algo que se vai despontando, como parte dos acontecimentos desse meu tempo predileto. Alguns podem pensar: mas é uma inconsequência! Um desatino! Futilidade, frieza! Acredito que não e digo por quê.
Não precisamos carregar nosso passado. Na verdade ele já se encarregou de deixar suas marcas na nossa alma, no nosso corpo e coração, que trabalhadas ou não por nós, mostra e molda o que somos e o que vivemos.
O futuro, este eterno desejo e esperança! Que já vive e morre em cada um, todos os dias, naquilo que fazemos, no que acreditamos.
Vivo este meu presente que se basta porque é maravilhoso! Conquistei esse meu número de anos e ele é perfeito. O sol nasce hoje para mim. Veio depois de muitas noites e provavelmente antes de algumas madrugadas, com as quais não quero me preocupar.
Os anos vão se passando, eu os percebo no meu agora, porque aprendi com eles a amar muito mais tudo o que sou e o que conquistei: minhas velinhas, meu eu.



Eliane Rangel
Três dias depois de conquistar seus 46 anos.
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