sexta-feira, 12 de maio de 2017

Meu sentimento sobre nós dois


Meu coração ainda dispara quando eu lhe vejo. Ainda fico ansiosa quando sei que logo vai chegar. Minhas mãos ainda ficam geladas. E ainda sinto vontade de vestir minha melhor roupa só para lhe ver e me maquio inteira para te impressionar, mesmo que você diga que sou linda com o cabelo bagunçado e a cara amassada da soneca da tarde.

É saudade que eu sinto quando você quebra pela enésima vez seu telefone e a gente não consegue se falar. É em você que penso antes de dormir e ao acordar. E não tem nada a ver com dependência ou costume, porque eu ia muito bem sem você. Tem a ver com o calorzinho que sinto no meu peito com o som da sua risada ou com os calafrios na espinha que seu beijo me dá. É a saudade antes mesmo de você ir embora e o abraço que me aperta tanto que sempre digo que não consigo respirar. É tudo exatamente igual como era. Como o começo.

A diferença é que sei que você vai estar lá e eu não vou ficar sozinha quando me distrair, entende? A sua mão vai estar lá quando eu tropeçar - todos os dias - ou o guardanapo vai se abrir quando eu começar a comer meu sanduíche e a mostarda me sujar inteira, porque com a pressa da fome somada a meu desastre esqueci de pegar antes e ela SEMPRE cai em mim. Não preciso me preocupar em não ter companhia para aquele filme da minha infância ou indicado ao Oscar no cinema, Vai ser na sua mão que vou esbarrar na hora de pegar meu refrigerante, porque o seu acaba primeiro e você quer beber o meu.




Eu sei que você vai estar lá. Mesmo que você não goste, mesmo que você primeiro diga que não, mesmo que a briga do dia anterior tenha me deixado com dúvidas se é com você mesmo o meu lugar. Você sempre me surpreende e me mostra que é você. Não importa se as pessoas acham que não, se ninguém entende o que eu vi em você ou se ninguém vai achar que somos perfeitos juntos. Eu acho e acredito que daqui há 80 anos ainda vou achar.


A verdade, é que nunca senti algo tão bonito, intenso, frustante, ou alegre antes. Assim, tudo misturado com mais outros tantos sentimentos que nem sei nomear. Você é perfeito para mim até no seu defeito mais feio. E é para mim que isso importa e sempre vai importar.


Thalyne Carneiro

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Só mais um café


Só mais um gole...
Fique um pouco mais!
Conte- me do seu dia.

O tempo passa
Nem conseguimos acompanhar tantas... Mudanças.

As primaveras,
O molhado e o seco.

Tudo passa e deixam as mudanças!!

Nos adaptamos ou ficamos para trás.

Nos deixam pra trás!
Ou somos nós que deixamos os outros?
Perdidos no tempo?
E nas primaveras?

Só mais um gole...
Fique um pouco mais!
Conte- me do seu ano.

Agora já é outono,
Nem percebi as outras estações!

Fique um pouco mais
Só mais uma xícara!

Faço o café…
Se for para nem perceber o passar do tempo...
Que seja com você!


                                        Anne Rangel

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O dia em que deixei o amor entrar


No dia em que ele chegou, não teve hora marcada, nem mesmo um aviso prévio. Pra dizer a verdade, ele nem bateu ou pediu licença. Eu abri a porta e ele tava ali, esperando eu sair do meio pra ocupar espaço. Lembro de olhar pra ele e pensar "acho que se ficar bem ali no cantinho não vou nem reparar" e cheguei pro lado. Quando percebi tinha mala em tudo que é canto, junto com uma mobília toda e ele lá, esparramado no meio da sala.

Quando o amor chegou, não teve preparação nenhuma. Meu cabelo não tava arrumado, a unha não tava feita e eu não usava nem sequer uma roupa ou sapatos novos. Ele só olhou pra mim pedindo passagem, foi chegando e se acomodou ali, nem me olhou duas vezes. Penso que quando ele tem que chegar não se preocupa se o chão tá limpo ou sujo pra entrar. Ele vem e senta em qualquer lugar e já faz morada.

Depois que ele chegou, nada fica no lugar sem ele. Como um quarto de adolescente, tá tudo desarrumado a primeira vista, mas se outra pessoa tenta ajeitar, nada se acha mais e parece mais desorganizado do que antes. Quando é pra ele ficar a gente até tenta puxar ele pra fora a força, mas como criança birrenta, ele senta no chão e gruda no primeiro ponto fixo que consegue achar, não tendo surra que separe.

De vez em quando a gente tenta esquecer que ele tá ali. Olho pro outro lado e finjo que não tô vendo nada, mas quase nunca dá certo. Ele se disfarça de música e enche o peito de saudade, ou vira o cheiro que a memória não deixa esquecer. Se o caso é grave mesmo, ele se transforma em sonho e chega onde não se alcança.


 Ele chegou e virou a companhia do jantar e cinema e a mão que aperta de levinho no meio de um ataque de ansiedade dizendo "tô aqui". Se disfarça de amigo na mesa de bar com conversas infinitas e às vezes de ombro, quando o mundo parece pesado demais pra carregar e a gente precisa de uma ajudinha. De vez em quando ele vira inconveniente e a gente até pensa em mandar embora, mas ele logo dá um jeitinho de mostrar que sem ele ali não ia ter a menor graça. No dia em que deixei o amor entrar, ele chegou e foi ficando, até que fez morada pra nunca mais partir e eu nem quero que ele parta.

Thalyne Carneiro

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Vai passar também


Acordei meio pra baixo hoje. Os ecos da nossa última briga ainda passavam pela minha cabeça me lembrando o quanto tínhamos sido estúpidos com as palavras durante a discussão. É que quando a gente ama fica difícil ás vezes se manter calmo tempo o suficiente para não falar besteira. O bichinho da intimidade bate na porta e acaba saindo coisas que não deveriam ser ditas. Jamais.

Penso que isso tem algo a ver com o fato de sermos dois briguentos cheios da razão. A gente até já riu disso uma vez, você lembra? Tinha um post bobo no facebook sobre ter brigas que nunca terminam. Nos vimos ali e rimos até chorar lembrando das nossas discussões infindáveis sobre quem estaria certo ou não. Mas como sempre passa. E eu sei que dessa vez vai passar também.

Já amei outro alguém e você já amou também e posso garantir com certeza de que é diferente com você e sempre foi. As palavras ditas podem ser por vezes as mesmas, mas é só por falta de uma colocação melhor para definir o que a gente sente. Se tivessem sinônimos suficientes, com intensidades diferentes, juro por tudo que é mais sagrado que eu mudaria cada texto meu para te mostrar que o que sinto é maior ou mais profundo.

 

Não tem peito mais confortável para a minha cabeça ou mão tão perfeita pra encaixar na minha. Não tem abraço melhor ou beijo mais gostoso. Não tem. Você é único pra mim e não tem ninguém nesse mundo que possa te substituir, por mais que nos dias difíceis a gente se pegue pensando nisso. A grama do vizinho nunca vai ser mais verde, porque não me lembro de ser tão feliz assim apesar de.


Se puder te fazer um pedido agora, mesmo com a raiva dividindo espaço no peito com o amor, não desiste assim da gente não. Do nosso "nós" ou de mim. Desde que você chegou a bagunça aqui dentro nunca foi tão bonita ou perfeita. A vida é complicada mesmo. Nós somos complicados mesmo. Mas você sabe tão bem quanto eu que não tem outro jeito, de outra forma, a vida não teria graça. Não sem você.

Thalyne Carneiro

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Enquanto te vejo dormir


Respiro devagarinho sentindo seu cheiro enquanto te vejo dormir. Você fica tão quietinho dormindo que parecem aquelas crianças recém-nascidas de boca aberta babando no colchão. E a parte mais engraçada é que eu só consigo achar bonitinho, mesmo que de novinho, seu rosto não tenha nada. É tão raro eu te ver dormir e não o contrário, que eu aproveito a situação. Ao contrário de mim, fechar os olhos e dormir profundamente não é uma habilidade sua.

Nem me mexo e olho suas mãos, as mesmas que fazem eu me sentir amada e me fazem ficar louca por você. Você me toca com elas e eu já não sou eu mesma, sou quem você quiser. Você me bagunça. Bagunça meu cabelo e bagunça os lençóis. E eu deixo, porque sinceramente não sei se seria tão feliz se fosse de outra forma.

Desde que eu tô aqui o tempo passou tão depressa. As coisas mudaram, nossas vidas mudaram e nosso relacionamento vem mudando também. Ele vai tomando forma com as mudanças e a gente vai acompanhando, mas não para pior. Mesmo brigando, sabemos que fazer as pazes é a melhor parte, até porque não acredito que viemos de tão longe para nos separar agora. O meu amor é todo seu e sei que o seu é meu também

A gente discorda, concorda, se abraça, se ama. "Não vou ligar pra ele dessa vez" você vem me ver. "Não vou atrás dela dessa vez". E eu falo que te amo. Por mais feio que fique o tempo, não queremos ir embora. Talvez a culpa seja da vida que já fez questão de mostrar que um sem o outro não tem a menor graça.


Você abre um olho, pisca e me olha com os dois dessa vez, e meu coração enche de amor, da ponta dos pés até a do meu cabelo, tão maior agora porque você pediu. E no fim, até que gostei. Você me abraça e me dá mais um beijo. Fala com a sua voz rouca que me ama muito e eu tenho vontade de dizer: "eu sei bobinho, por isso eu te amo também", mas só sorrio e encosto minha cabeça no seu peito, tendo certeza que não tem outro lugar onde eu preferiria estar, porque meu lugar é ali mesmo.

Thalyne Carneiro

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Férias!!!!

Porra!

Não estamos à venda!!!
O que certamente não impede que sejamos vendidos!!


Trabalhamos por pedaços de papel,
Trabalhamos para colher tempo,
Trabalhamos para desfrutar de férias,
Trabalhamos para acumular coisas!


Nos vendemos por uma ideia,
Nos prostituímos pela matéria!


Não nos empenhamos para Sermos,
Não nos empenhamos para Criarmos,
Não nos empenhamos para Cuidarmos!


Mãe Natureza, com toda certeza,  é a Mãe mais frustada de todas,
Coitada!

 
E nós, com toda ciência, tecnologia, conhecimento…
Somos os filhos mais ingratos,
A visita mais indesejada,
O irmão menos compreensível!!


O lar Planeta Terra que o diga!
A família homo sapiens que lamente!


Com um mundo em que o conceito de globalização, teoricamente, existe: 
Não existe, justamente, a conexão Humana!


Afinal:
A “carne mais barata do mercado”
é a carne negra,
é a carne fêmea,
é a carne pobre!


Se for as três então,
Sai de graça,
E pasmem:
Ninguém se importa!

                    AnneR.angel


                                          *Google imagens

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O quarto que não era dela


O sol ardeu nos olhos dela essa manhã. "Quem abriu minha janela?" ela pensa irritada enquanto abre os olhos. Peraí. "Esse quarto não é meu!" ela congela. Vira a cabeça pro lado devagar, vê uma perna de homem. "Meu Deus, por favor, que seja bonito..." Ela levanta o pescoço e olha por cima do cabelo preto. "Hum... nada mal... Foco! Levanta da cama beeeem devagar..." ela levanta, pega a roupa e corre pro banheiro.

"Ok, Ok. Vamos ver o que posso fazer com esse cabelo... Nessa confusão, acho que só um coque." Suspira. Lava o rosto. Dá uma checada no pescoço. Aceitável. Quer dizer, se você não tem problemas com caminhadas da vergonha em plenas... Que horas são? - AI. MEU. DEUS. - Meio dia?! "O que eu faço se ele acordar? Qual é mesmo o nome dele? Roberto? Marcelo? Rodrigo? Não..." Franze a testa. Vamos lá, você consegue. "Pedro! Isso! É Pedro." Ela acha.

Sai do banheiro na ponta dos pés. Onde será que está o sapato? Ela vê um ali no pé da cama. Ok, achou o direito. Uma volta pela cama, uma olhada debaixo dela. Nada. Debaixo da pilha de roupas dele. Nada. "Será que perdi meu sapato?" pega a bolsa, abre a porta, sai do quarto. A cozinha deve ser por ali. Água, água, água... Onde será que tem copo? Uma foto colada na geladeira. Um casal mais velho e aparentemente o rapaz deitado na cama. Olha atrás. "Saudades de você, João. Vem logo visitar a gente. Mamãe e Papai". Então é esse o nome. João.

Resolve dar uma olhada na sala. Mais fotos. Viagens, amigos, mais fotos de família. Uma estante abarrotada de livros. Direito Penal. "Ele é advogado?" Game of Trhones. "Arrá!" Ela lembra de uma coisa. Uma tequila. Um sorriso. Mas você gosta da Sansa? Risadas. Mais tequila. Um beijo. Vamos pra minha casa? Claro que não. Mais tequilas. Mais beijos. Onde tá seu carro? Vim de carona. Ela congela ali olhando pra estante. 



Senta um pouco no sofá e olha pra mesa de centro chocada com ela mesma. "Deus, eu nunca fiz isso antes." Achou o outro sapato. Embaixo da mesa. Eba! Em cima ela vê um bloquinho. Resolve tentar a sorte. Passa um batom e rabisca apressada "Adorei ontem a noite, mas eu ainda prefiro a Sansa. Beijo e me liga" beija o papel e deixa por ali mesmo com o número do celular. Ela levanta e vai embora. Se ele ligar... bom. Se não ligar, bem, o azar é dele.


Thalyne Carneiro