segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

De pensar em você

 
Me pego pensando nele pelo que deve ser a décima vez no dia. Onde será que se meteu essa criatura, meu Deus? Olho meu WhatsApp e me pergunto em que raio de boteco já deve ter se metido que o fez me ignorar pelo final de semana inteiro. Ou pior, que abraço deve ser melhor que o meu. Mas não. Não quero pensar nisso.

Resolvo ignorá-lo. Da próxima vez em que eu encontrar com esse imbecil ele vai ver. Tá achando que é fácil assim? Me ignorar e depois aparecer como se nada tivesse acontecido. Então ele chega. Sorri pra mim e sinto toda a minha força de vontade se esvair. Meu peito dói, olhar pra ele machuca. Como pode maltratar tanto meu coração e eu ainda não conseguir ficar longe?
 
Ele diz que vai me levar em casa. Como já aconteceu em outros dias, entro no carro enquanto repito o mantra: Não vou te beijar, não vou te beijar, não vou te beijar - ele para o carro - não vou te beijar, não vou te beijar... E aí ele me beija. Acabou a raiva, acabou a dúvida. Só existe você e eu e de repente já não sou dona de mim. Cada centímetro de mim pede por você e me permito ser feliz enquanto você está aqui.
 
E a gente briga, discute, se beija, conversa, você me ignora e nossos dias continuam a se passar assim. Pensamos igual, falamos igual, até nossos interesses são comuns. Mas você não decide o que você quer. Um dia me quer como mãe dos teus filhos e no outro já não sei nem onde você se meteu. Já gastei tanto dinheiro com chocolate pra calar essa ansiedade que não sei como não passei a pesar uns 200kg, de tanto comê-los.
 
 

Mas apesar disso continuando te amando. Mesmo que briguem comigo, mesmo que me chamem de louca ou que eu tenha vontade de te esganar, a verdade que não sei mais viver sem ter você. Até minha mãe me lembra que você existe quando tento te esquecer, e olha que você já sabe de como nós duas não nos damos bem.
 
Vem me ver só mais uma vez, igual você fez naquele dia e me pegou de pijama. Me diga que sou só sua e que não quer mais me deixar. Não me faz ir atrás de você em um acesso de fúria por você ser tão idiota. Venha do jeito que estiver, mesmo depois de ter bebido e sabendo que não gosto disso. Não precisa ficar pra sempre, mas me diga pelo menos hoje o quanto sentiu minha falta, só pra eu não me sentir idiota, por pensar em você pelo que deve ser a décima vez no dia.

 

Thalyne Carneiro

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Para o meu próximo amor


Então é isso. Não deu certo e é hora de sacudir a poeira e tentar arrumar a casa para o novo. A dor da despedida é tão intensa que dá vontade de dormir o dia inteiro, mas não posso fazer isso. A gente não pode se entregar ao vazio, porque é nele que seus piores medos acontecem. Não tem jeito, enfrentar é o melhor caminho. Apesar da tristeza, meu coração se enche de esperança. Todo mundo tem seu final feliz de algum jeito, certo? 

Me calço com os meus melhores sapatos de caminhada e me ponho a andar. A vida só muda, quando você sai do lugar, dizem. Me distraio com amigos, família, afazeres diários e me coloco a esperar pelo próximo amor. Vai que ele vai ser diferente? Não espero um príncipe encantado. Essas coisas não existem. Mas quando se tem um longo histórico de amores não correspondidos, a gente meio que cansa de amar sozinho, sabe? Tudo que eu quero que ele me ame de verdade.

Se não for pedir demais, que não fuja de mim sem me dar ao menos um aviso prévio. Sei que pareço meio desligada, mas note nas pequenas coisas o quanto eu gosto de você. Naqueles meus momentos de preocupação com a sua saúde, mãe ou até com o seu cachorro. Quando respondo qualquer coisa que você me mande, mesmo que com apenas uma carinha. Quando te deixo em paz, porque quero te dar espaço e não porque sou uma megera sem coração. E principalmente, nos momentos em que eu ficar em silêncio, porque são as horas em que me sinto tão feliz em estar por perto, que só quero ficar ali sentindo o seu cheiro.

Peço desculpas antecipadamente pelos textos que escreverei sobre você. Não sou nenhuma maluca psicopata apaixonada. É só que eles fazem parte do que eu sinto e nunca vou conseguir dizer em voz alta por serem detalhes que me fazem ficar tímida. Vou acabar escrevendo um monte deles, me desculpe. Mas tente lê-los. Não precisa comentar nada. Apenas leia.

Entenda também, eu imploro, que meu coração de pedra não é falta de amor. O coitado já foi tão maltratado que fica calado. Mas eu sinto pena, saudade e tristeza. Se prestar atenção aos sinais, vai perceber como sou sensível a essas coisas, só não quero te assustar com o tamanho dos meus medos. Há coisas nessa vida com que precisamos lidar sozinhos.

Se algum dia você decidir ir embora, tudo bem. Não vou fazer drama, chorar ou ligar 54826987 vezes para você e pedir pra voltar. Acredito que amar é deixar o outro se sentir livre para partir também, afinal, quem fica obrigado, não ama de verdade. Apenas seja honesto comigo, que de resto, tudo se ajeita e melhora com o tempo. Ninguém morre de coração partido.



Por último, peço, imploro, mais uma vez: me ame. Me ame mal humorada, com raiva, ou sorridente. Me ame quando eu te der colo, quando brigarmos por uma coisa idiota ou quando estivermos longe um do outro. Não precisa pensar em mim o tempo todo, me mandar um milhão de mensagens durante o dia ou só sair e falar comigo. Apenas me ame. Juro que vou cuidar com carinho desse nosso amor que nem nasceu, mas que já espero ansiosamente por ele. Estou esperando por você e pelo nosso, quem sabe, final feliz. 

Thalyne Carneiro


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O dia em que me decidi sobre você


Olho pra ele e sinto o mundo inteiro parar. Meu coração dispara quando nossos olhos se encontram e tudo volta a se mexer no ritmo de sempre, enquanto me sinto ridícula por ainda não saber o que dizer só por você estar por perto. Me sinto tímida, minhas mãos ficam geladas e me pergunto pela centésima vez se o meu corpo sempre vai se comportar assim quando te vejo.
                
Você me abraça, me aperta, me belisca, implica comigo. Faz tanta coisa que eu acho insuportável que não sei como nunca briguei com você por essas coisas. Só porque é você, eu acho... bonitinho. Quase fofo. E isso me faz me achar ridícula. Tenho vontade de me chutar. Qual é, garota, você é melhor que isso.

Balanço a cabeça e tento colocá-la no lugar. Ele é só um cara e você já viu um desses antes. Reaja. Respiro fundo e volto a tentar me concentrar, mas é tarde demais, o cheiro dele já grudou na minha roupa e agora até respirar me faz lembrar dele. Droga!

Vejo outras garotas olhando pra ele. E é claro que ele gosta. Parece que vive pra atrair a atenção feminina. Até me sinto orgulhosa por alguns instantes pelo meu bom gosto, mas aí você fica estupidamente convencido, o que me deixa profundamente irritada. Noto com tristeza que essa maldita pontada no peito e a raiva que engulo em seco é o maldito ciúme. Nessa hora quase me espanco até a morte. Devo ter enlouquecido mesmo. Vê se pode, eu com ciúme. Odeio essa versão de mim.


Longe, perco a fome e parece que nada nessa vida é bom o suficiente pra me distrair. Deixei você entrar tanto nela que agora não consigo nem sequer fazer algo sem que a lembrança de você dizendo ou fazendo algo sobre o assunto me pegue de guarda baixa e eu sinta a falta de você. Parece uma droga, cujo o efeito colateral da minha abstinência seja a saudade, que dói e aperta o peito.

Sinto no fundo da alma que vou me dar mal. Odeio essas coisas e não sei o que fazer com elas, mas meu coração ainda quer sentir. Mesmo que se machuque, mesmo que o seu não queira acompanhá-lo no sentimento ou que sua atenção não seja exclusivamente minha. Ele simplesmente quer você. Respiro fundo e tenho raiva de mim pelo o que decido. Posso até me magoar, mas não vou desistir de você. E se eu cair, vai ser como gato, de pé, porque eu saberei que tentei.

Thalyne Carneiro

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Para não gostar de você


Acordo no meio da noite pelo que deve ser a 3ª vez essa semana. Balanço a cabeça e deixo meu sonho cair no esquecimento enquanto tenho vontade de me bater por sonhar com você. De novo. Tento voltar ao meu sono tranquilo antes de você interrompê-lo, mas é impossível. A insônia se instala e lá se vai mais uma noite em que a única coisa que consigo sentir é ódio de mim mesma por ser tão patética.

Não quero ficar feliz por te ver e nem sentir uma pontada de ansiedade doentia quando você me manda mensagem. Não aguento mais escrever textos sobre você e escutar que esses são justamente os mais bonitos. Não quero que a gente combine ou ver que pensamos igual. Não quero sentir esse maldito frio na barriga, nem ficar arrepiada só de lembrar do seu cheiro. Não suporto sentir sua falta e muito menos me sentir tão bem só por estar perto.


Mas ninguém me abraça como você. Não existe sorriso igual ou mais bonito e não há ninguém no mundo de quem eu goste tanto de cuidar. Não há beijos ou piadas tão boas, nem carinhos, que mesmo raros, satisfaçam tanto. Não há rugas nos cantos de outros olhos que sejam tão adoráveis, ou uma cor de cabelo tão fácil de lembrar quanto a sua. Nunca vi um corpo encaixar tão bem no meu ou vontades que se complementem tanto. 

Não quero sonhar, pensar ou falar de você. Não quero só conseguir escrever só sobre você. Essas coisas só me deixam doente. Acredite, não tem uma parte de mim que goste de sequer pensar sobre isso. Não consigo esperar você me querer e nem tenho ideia de como fazer isso. Não vou ser só mais uma que te persegue enquanto você foge. Não sou assim. Vou tentar te esquecer pela centésima vez hoje. Só para eu não gostar de você.

Thalyne Carneiro

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A mentira perfeita


Ele me dá uma daquelas olhadas de quem sabe demais enquanto passa a mão na barba. Não me diz nada, mas sei por experiência que esse gesto significa que estou perdida. Não que seja ruim, mas vê que ele sabe que não consigo fugir me deixa irritada. Como pude deixar isso acontecer?

Já tentei trocar por outro(s). Não responder as mensagens na hora em que elas chegam. Me manter ocupada ou quem sabe não vê-lo mais. Nada funciona. Na verdade é como se eu acendesse um sinal luminoso que grita "Vai atrás dela, rapaz!", porque quando menos espero, olho por cima do ombro e lá está ele de novo.

E o pior de tudo é que o infeliz me faz falta. Porque não basta ter time perfeito pra correr atrás, tem que ser bom amigo e pensar exatamente igual a mim. E ainda adivinhar o que eu quero e fazer do jeito perfeito. Ah, mas tinha que ser bonito também, daqueles que um sorriso faz as mulheres se derreterem, saber ser fofo na hora certa e bruto também. Como pode ser tão o que eu gosto, meu Deus?

Aí vem a pergunta: qual o problema com ele afinal? O problema, colega, é que ele é perfeito demais para mim e isso me deixa doente. Porque ele é encrenca, encrenca daquelas das boas. Que só de olhar você sente lá dentro que tem que correr, sem nem olhar para trás. Porque se chegar perto, ah, amiga, você tá perdida.


Mas o melhor de tudo, espera, essa é a melhor parte, é que eu acho que gosto dele. Sim, da encrenca. Aquele mesmo que foi me visitar porque eu tava doente, o que pediu para eu tomar conta dele, o que me deseja boa noite, tem o abraço mais gostoso do mundo e que adora me arrastar para longe das pessoas a fim de me roubar um beijo. O rapaz que até tenta sumir, mas sente saudade tanto quanto eu.

Então ele me abraça. Puff. Tudo que eu podia pensar ou questionar vai embora. Ele sorri e eu sorrio. E não tem mais nada que eu possa fazer, além de sermos nós. Só mais uma vez, eu digo (minto) pra mim. Só mais uma.


Thalyne Carneiro

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nada Melhor


"Amo você" ele diz no meu ouvido e faz meu corpo inteiro se arrepiar de felicidade. Olho para ele e é impossível não sentir meu coração se encher de tanta alegria por ele estar ali. Ela é tão grande, que não canso de me perguntar se ele realmente existe ou se por descuido meu, ou por qualquer movimento brusco ele vai desaparecer. É tudo tão mágico que simplesmente não é possível que seja verdade. Simplesmente não pode ser.

Mas ele é real. E a cada dia que passa me faz me perguntar onde ele estava antes de entrar na minha vida e por que demorou tanto pra bagunçar tudo. E eu gosto dessa bagunça que ele fez e continua fazendo. Não penso, sinto ou até mesmo falo como antes. E nem quero pensar como antes, porque no antes, ele não estava ali.

Meus suspiros mudam de motivo e até mesmo de entonação. Com ele não há dor, nem ressentimentos, só um êxtase permanente, que faz ser difícil acreditar que faça tão pouco tempo que esteja ali. Ele me faz querer ser quem ele quiser que eu seja, mesmo que não tenha necessidade nenhuma disso. Não preciso me esconder ou esconder o que sinto. Posso ser quem eu quiser e pronto. Ele não vai fugir de mim.


Com ele meu riso é frouxo e a leveza entre nós sincera. Não há necessidade de preencher silêncios, até eles são prazerosos. Tenho vontade de cuidar dele, não porque haja essa cobrança, é só porque eu quero. Escutar a batida do coração de alguém nunca foi tão gostoso e só de lembrar do som, tenho vontade de chorar de alegria. De novo. Só porque ela confirma pra mim que você está ali.

Então são abraços apertados, beijos perfeitos, carinhos trocados e movimentos sincronizados. É saudade que aperta o peito, mesmo antes da gente se separar, e vontade de nunca te deixar. Foi em pouco tempo, mas eu acredito no que sinto e acredito na gente. Mesmo que ninguém acredite, mesmo que achem que não vá durar. E nem me importo que pensem assim. Porque agora somos nós. E pra mim, não tem nada melhor do que isso.


Thalyne Carneiro

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Talvez seja amor...


O meu sorriso abre primeiro que os olhos, dura o dia todo e a vida parece ter mais cor. As coisas ganham novos significados, sonhar acordada é quase rotina e dormir uma noite inteira se tornou quase impossível. São canções de amor cantadas no banho. E no café. E no carro. E no almoço. E no trabalho. E, e, e... 

"Nossa, como sua pele tá mais bonita", será que tá mesmo? Nem reparei. Dizem por aí que isso é resultado do amor. Eu duvido que seja, mas pensar que talvez seja, faz meu coração dar cambalhotas e o frio na barriga dá aquele aperto gostoso de montanha russa. É uma sensação tão gostosa, que não me lembro qual foi a última vez que me senti tão bem assim. Eu costumava ter medo dele sabe? Mas não, não pode ser isso. Não é isso. 

Eu não gosto de você, eu não gosto de você, eu não gosto de você, eu não... (celular vibra) "Tá fazendo o que?" e meu coração começa a martelar tão alto, que acho que o mundo todo pode ouvir. Quando dou por mim já estou lá te respondendo. Ah, mas é só porque ele é bonito, sabe como é, né? Claro que é. Porque seria outra coisa? 


Então ele diz que vem me ver. As bochechas doem de tanto sorrir de felicidade, mas a culpa não é minha. É dele. É do sorriso de derreter qualquer coração de pedra, das ruguinhas do canto dos olhos e do cheiro que ele tem. É do abraço apertado, do carinho na perna e da cabeça no meu ombro. Do jeito que nosso corpo se completa tão fácil e da forma como meu corpo sempre quer o seu. É das piadas fora de hora, da olhada pra mim de lado depois de falar de outra garota e do jeito que segura a minha mão. É do abraço pela cintura quando menos espero, do beijo de despedida no portão e da sensação da sua barba no meu pescoço.


 São essas coisas que me fazem querer ser sua. Mesmo com o medo que eu tenho de amanhã você não estar aqui ou que você se canse de mim. Mesmo que talvez você não sinta o mesmo. Mesmo sabendo dos seus defeitos e que você não é perfeito. Mas não quero pensar nisso agora, nem se somos eu e você ou se somos nós. Deixa isso pra lá. Se for amor, vai ser amor e ninguém vai duvidar disso.



Thalyne Carneiro