Olhar a paisagem pela janela
Não me fala do que vejo
É distante, não faz parte
É irreal, é só desejo
Melhor sair
Ir lá fora
Sentir o cheiro, festejar
Aí tudo pertence
Tem a cor que deve ter
E tem entrega
Tem alegria
E tem viver
Eliane Rangel
sábado, 8 de setembro de 2018
sábado, 1 de setembro de 2018
Consentimento
As intenções são tuas!
Mas os limites são meus!
O silêncio ecoa na voz
E nos olhos ardem as palavras não ditas
O que se engole
SUFOCA
O que se expressa
ALIVIA
Somos feitos de necessidades
CRUAS
Nem sempre atendidas...
Compreendidas!
Somos feitos de necessidades
NUAS
Quase sempre ardidas...
Perdidas!
As intenções são tuas,
Mas os limites são meus.
Teus e meus...
Efêmeros desejos
Que se constroem.
Esperança frágil,
Expectativa sutil...
As intenções são tuas,
Mas os limites são meus...
Corda bamba,
Adrenalina...
Quem dirá no que deu?
Anne R.Angel
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Socorro!!
Alguém para o Mundo??
Quero realmente descer!!
Tanto radicalismo, tanto desamor, tanta guerra, tanta FALTA de HUMANIDADE!!!
Vamos devolver tudo para os microorganismos?
Os macros não souberam valorizar!
Oprimido que almeja ser opressor, opressor que alcança o impensável: HOLOCAUSTO!
HOLOCAUSTO do século 21, HOLOCAUSTO do respeito!!
Do ser animal, natural, espiritual.
É a morte das almas.
O dinheiro vale mais que tudo.
As fronteiras dizimaram a globalização.
Aliás, a globalização só serve para voyer da dor alheia.
Só serve para nos desviar dos problemas a nossa frente sem nem mesmo ajudar aos problemas do lado de lá!!!
É governo corrupto para todo lado!
É guerra religiosa!
É racismo!
Homofobia!
Feminicídio!
Escravidão, em 2017, ainda escravidão!
INTOLERÂNCIA!INTOLERÂNCIA!INTOLERÂNCIA!INTOLERÂNCIA!INTOLERÂNCIA!
Está tudo errado, está todo mundo revoltado!
E podemos fazer o que?
Na democracia: manifestações!!
Para apanhar da polícia, que em tese também é humana!
Para nos defenderemos de quem?
Do opressor, que em tese também é humano!
Tanta violência gratuita!
Meu coração dói,
Minha alma chora,
Meu espírito se sente impotente!
E mesmo assim dores diferentes doem, ninguém tem capacidade de julgar o que dói mais!
E mesmo assim todos nos sentimos juízes!
Respeito para que?
O importante sou eu! Minhas angústias, minhas contas: EU!!!
Fodam-se vocês!
Fodam-se as próximas gerações!
Que morram de sede, ou de insolação, ou por soterramento, ou de fome, ou por violência, ou por abandono, ou por desespero, ou por desamor!
Ou seja: por falta de HUMANIDADE!!!
Meu coração dói,
Minha alma chora,
Meu espírito se sente impotente!
O que fazer, quando o defeito do ser humano é ser SEM humanidade?
Quão irônico é destruir aquilo que nos provê?
Ainda por cima por dinheiro? Que é o que? Um pedaço de papel que alguém disse ter valor?
O que tem valor é a VIDA! O respeito à vida!!!!
Meu coração dói,
Minha alma chora,
Meu espírito se sente impotente!
Ou se desespera ou se desliga...
Mal do século: DEPRESSÃO!
Meu coração dói,
Minha alma chora,
Meu espírito se sente impotente!
GRATIDÃO: para ajudar a curar a alma!
A.R.Angel
terça-feira, 27 de junho de 2017
Quando o mel é bom...
É o terceiro zumbido seguido do meu telefone.
Abro os olhos sonolenta e tento não rir enquanto vejo de quem é a mensagem. É
sua. Três áudios onde sua voz está mais bêbada do que possa me lembrar de ter
ouvido antes. “Você não sabe o quanto é especial para mim...” diz o começo do
primeiro e eu penso em desligar, mas escuto até o fim. “Devia ter te dado mais
valor”, reviro os olhos. “No fundo eu também gostava de você” Rá, essa é boa.
“No fundo eu também gostava de você” Quando
se deu conta disso, meu amor? Enquanto dava em cima de todas as vagabundas
possíveis ou quando ocupou a cama da minha vizinha? Me seguro para não ser bem
mal educada e lembro daquele tempo em que fiquei apaixonada, você
definitivamente não me amava de volta. Por favor, me poupe e se poupe.
Resolvo ouvir o segundo. “Você lembra da
gente junto na minha cama” Merda. “De como era bom? De como parecia perfeito” É
nisso ele tem razão, era bom. Mas acho que ele precisa reconsiderar essa escala
de quão bom era, porque convenhamos, não era tão perfeito assim, hoje eu vejo.
“Ninguém conseguiu te superar até hoje” Me achei um pouquinho com essa, pena
que não posso dizer a mesma coisa.
Lembrei das mãos, do cheiro, do jeito que
pegava no meu cabelo. Dessa vez não senti nada. Acho que no fim das contas eu
só precisava de alguém melhor pra te esquecer, porque o que tem de mãos,
cheiros e pegadas melhores não tá no roteiro. Era bom, mas não sei ganha o
título de melhor não, esse você já perdeu há um bom tempo.
Mas vamos ao terceiro. “Você bem que podia me
dar uma chance, né?” Não mesmo. “Nós tivemos bons momentos” Sim, tivemos. “Se
você quiser, amanhã mesmo te busco. Te levo pra minha casa, pra gente repetir
os bons momentos” Arrá! Sabia que não ia demorar. Que mané bons momentos que
nada. Você só é mais do mesmo, e desse sorvete de baunilha sem graça e comum eu
não quero mais.
Respondi um “Uhum, vai dormir” e já apertei
aquela função maravilhosa chamada bloqueio. Quando o mel é bom, a abelha sempre
volta sim, mas não quer dizer que ele vai estar lá quando ela vier buscar.
Passar bem.
Thalyne Carneiro
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Meu sentimento sobre nós dois
Meu
coração ainda dispara quando eu lhe vejo. Ainda fico ansiosa quando sei que
logo vai chegar. Minhas mãos ainda ficam geladas. E ainda sinto vontade de
vestir minha melhor roupa só para lhe ver e me maquio inteira para te
impressionar, mesmo que você diga que sou linda com o cabelo bagunçado e a cara
amassada da soneca da tarde.
É
saudade que eu sinto quando você quebra pela enésima vez seu telefone e a gente
não consegue se falar. É em você que penso antes de dormir e ao acordar. E não
tem nada a ver com dependência ou costume, porque eu ia muito bem sem você. Tem
a ver com o calorzinho que sinto no meu peito com o som da sua risada ou com os
calafrios na espinha que seu beijo me dá. É a saudade antes mesmo de você ir
embora e o abraço que me aperta tanto que sempre digo que não consigo respirar.
É tudo exatamente igual como era. Como o começo.
A
diferença é que sei que você vai estar lá e eu não vou ficar sozinha quando me
distrair, entende? A sua mão vai estar lá quando eu tropeçar - todos os dias -
ou o guardanapo vai se abrir quando eu começar a comer meu sanduíche e a
mostarda me sujar inteira, porque com a pressa da fome somada a meu desastre
esqueci de pegar antes e ela SEMPRE cai em mim. Não preciso me preocupar em não
ter companhia para aquele filme da minha infância ou indicado ao Oscar no
cinema, Vai ser na sua mão que vou esbarrar na hora de pegar meu refrigerante,
porque o seu acaba primeiro e você quer beber o meu.
Eu
sei que você vai estar lá. Mesmo que você não goste, mesmo que você primeiro
diga que não, mesmo que a briga do dia anterior tenha me deixado com dúvidas se
é com você mesmo o meu lugar. Você sempre me surpreende e me mostra que é você.
Não importa se as pessoas acham que não, se ninguém entende o que eu vi em você
ou se ninguém vai achar que somos perfeitos juntos. Eu acho e acredito que
daqui há 80 anos ainda vou achar.
A
verdade, é que nunca senti algo tão bonito, intenso, frustante, ou alegre
antes. Assim, tudo misturado com mais outros tantos sentimentos que nem sei
nomear. Você é perfeito para mim até no seu defeito mais feio. E é para mim que
isso importa e sempre vai importar.
Thalyne Carneiro
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Só mais um café
Só mais um gole...
Fique um pouco mais!
Conte- me do seu dia.
O tempo passa
Nem conseguimos acompanhar tantas... Mudanças.
As primaveras,
O molhado e o seco.
Tudo passa e deixam as mudanças!!
Nos adaptamos ou ficamos para trás.
Nos deixam pra trás!
Ou somos nós que deixamos os outros?
Perdidos no tempo?
E nas primaveras?
Só mais um gole...
Fique um pouco mais!
Fique um pouco mais!
Conte- me do seu ano.
Agora já é outono,
Nem percebi as outras estações!
Fique um pouco mais
Só mais uma xícara!
Faço o café…
Se for para nem perceber o passar do tempo...
Que seja com você!
Anne Rangel
terça-feira, 1 de novembro de 2016
O dia em que deixei o amor entrar
No dia em que ele
chegou, não teve hora marcada, nem mesmo um aviso prévio. Pra dizer a verdade,
ele nem bateu ou pediu licença. Eu abri a porta e ele tava ali,
esperando eu sair do meio pra ocupar espaço. Lembro de olhar pra ele e pensar
"acho que se ficar bem ali no cantinho não vou nem reparar" e cheguei
pro lado. Quando percebi tinha mala em tudo que é canto, junto com uma mobília
toda e ele lá, esparramado no meio da sala.
Quando
o amor chegou, não teve preparação nenhuma. Meu cabelo não tava arrumado, a
unha não tava feita e eu não usava nem sequer uma roupa ou sapatos novos. Ele
só olhou pra mim pedindo passagem, foi chegando e se acomodou ali, nem me olhou
duas vezes. Penso que quando ele tem que chegar não se preocupa se o chão tá
limpo ou sujo pra entrar. Ele vem e senta em qualquer lugar e já faz morada.
Depois
que ele chegou, nada fica no lugar sem ele. Como um quarto de adolescente, tá tudo desarrumado a primeira vista, mas se outra pessoa tenta ajeitar, nada se
acha mais e parece mais desorganizado do que antes. Quando é pra ele ficar a
gente até tenta puxar ele pra fora a força, mas como criança birrenta, ele senta no
chão e gruda no primeiro ponto fixo que consegue achar, não tendo surra que
separe.
De
vez em quando a gente tenta esquecer que ele tá ali. Olho pro outro lado e finjo que não tô vendo nada, mas quase nunca dá certo. Ele se disfarça de
música e enche o peito de saudade, ou vira o cheiro que a memória não deixa
esquecer. Se o caso é grave mesmo, ele se transforma em sonho e chega onde não
se alcança.
Ele
chegou e virou a companhia do jantar e cinema e a mão que aperta de levinho no
meio de um ataque de ansiedade dizendo "tô aqui". Se disfarça de amigo
na mesa de bar com conversas infinitas e às vezes de ombro, quando o mundo
parece pesado demais pra carregar e a gente precisa de uma ajudinha. De vez em
quando ele vira inconveniente e a gente até pensa em mandar embora, mas ele
logo dá um jeitinho de mostrar que sem ele ali não ia ter a menor graça. No dia em que
deixei o amor entrar, ele chegou e foi ficando, até que fez morada pra nunca
mais partir e eu nem quero que ele parta.
Thalyne Carneiro
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